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Estudante de ADS do IFSP conquista 2º lugar em Hackathon da OpenAI Brasil

  • Publicado: Segunda, 14 de Setembro de 2026, 20h37
  • Última atualização em Segunda, 14 de Setembro de 2026, 20h39

A criatividade, a programação e o uso estratégico da inteligência artificial renderam ao estudante Eduardo Gondim Salvador, do curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS) do Campus Hortolândia do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), uma importante conquista profissional. A equipe responsável pelo projeto, 40 Safras, conquistou o 2º lugar no Hackathon da OpenAI Brasil, realizado em São Paulo, competição que reuniu desenvolvedores para criar, em poucas horas, soluções utilizando inteligência artificial e a ferramenta Codex, da OpenAI.

Ao todo, 113 participantes estiveram presentes no evento, que recebeu 40 projetos submetidos. Entre as equipes participantes, cinco foram selecionadas para apresentar seus projetos na etapa final, e o 40 Safras ficou com a segunda colocação. Como premiação, a equipe recebeu US$ 2.500 em créditos do Codex, que poderão ser utilizados para dar continuidade ao desenvolvimento do projeto.

O hackathon foi organizado em torno de três grandes temas: Pequenos Negócios; Educação e Empregabilidade; e Clima, Cidades e Agricultura. Foi nesta última área que surgiu o 40 Safras, projeto que busca utilizar inteligência artificial para facilitar o planejamento e a tomada de decisões no campo.

Solução une inteligência artificial e planejamento agrícola

A proposta do 40 Safras é permitir que o produtor rural descreva sua operação por meio da voz, tornando a utilização da tecnologia mais acessível. A partir dessas informações, a inteligência artificial interpreta os dados e apresenta os resultados de maneira compreensível ao usuário. Um dos diferenciais da solução está na forma como os cálculos são realizados. Embora a inteligência artificial seja utilizada para interpretar as informações e explicar os resultados, os cálculos do planejamento são executados por código, com base em dados históricos. Dessa maneira, busca-se garantir que os resultados sejam verificáveis e confiáveis, reduzindo a dependência de respostas puramente geradas pela IA.

A ideia inicial do projeto partiu do estudante, que trabalhou em conjunto com os demais integrantes da equipe para transformar o conceito em uma solução funcional durante a competição. Sua atuação esteve concentrada principalmente na engenharia de inteligência artificial e de harness, estrutura responsável por organizar contexto, tarefas, ferramentas e mecanismos de verificação utilizados pelos agentes de IA durante o desenvolvimento. Também participou da implementação do backend, (infraestrutura que processa a lógica de negócio, gerencia dados e executa ou conecta os modelos de inteligência artificial) e da integração entre os diferentes componentes da aplicação.

A experiência deu origem ainda a outro projeto, o Agent Harness Kit, disponibilizado de forma aberta no GitHub, com ferramentas voltadas à organização do trabalho de agentes de programação.

Mais de três horas para transformar uma ideia em projeto

O formato do hackathon foi um dos grandes desafios enfrentados pelas equipes. No dia do desafio, o desenvolvimento começou às 11h45 e os participantes tiveram até as 16h para realizar a submissão final dos projetos. Na prática, foram pouco mais de três horas efetivas de desenvolvimento, exigindo das equipes rapidez na tomada de decisões e capacidade de priorização.

Após a submissão, ocorreu a primeira rodada de avaliação. As cinco equipes melhor avaliadas avançaram para a apresentação final. Cada grupo teve aproximadamente três minutos para demonstrar sua solução, seguidos de perguntas dos jurados. A premiação ocorreu entre 18h45 e 19h, encerrando a programação com uma recepção destinada ao networking.

“Os principais desafios foram definir prioridades, dividir as responsabilidades e integrar as partes do projeto dentro desse prazo curto. Também precisávamos demonstrar uma solução que realmente funcionasse e explicar seu valor em poucos minutos.” Na sua área de atuação, o cuidado esteve especialmente voltado à organização do trabalho dos agentes de inteligência artificial. “O maior cuidado foi organizar o contexto, as tarefas e as verificações dos agentes de IA para acelerar o desenvolvimento sem comprometer a qualidade e a confiabilidade da entrega.”

Além dos conhecimentos técnicos, a comunicação também teve papel importante. O evento contou com uma dinâmica híbrida de idiomas, mas o inglês foi fundamental para a interação com integrantes da equipe da OpenAI.

Conhecimentos em uma situação real

A participação no hackathon surgiu a partir de uma oportunidade divulgada pela própria instituição de ensino. O estudante conta que soube da competição e decidiu participar como forma de colocar seus conhecimentos em prática, aprender com outros desenvolvedores e enfrentar uma experiência diferente. A possibilidade de trabalhar com inteligência artificial em torno de um problema real também foi um dos fatores que motivaram a participação.

Ingressante do IFSP no primeiro semestre de 2025, o estudante está atualmente no quarto período de ADS e destaca a contribuição da formação acadêmica para o desempenho na competição. Segundo ele, a formação oferecida pelo IFSP contribui principalmente para a construção de uma base capaz de ajudar o estudante a compreender problemas, estruturar soluções e avaliar criticamente aquilo que está sendo desenvolvido. Essa capacidade de análise torna-se especialmente relevante em um cenário de rápida expansão das ferramentas de inteligência artificial. “Essa base é importante para usar ferramentas de IA com senso crítico e conseguir verificar seus resultados.”

Reconhecimento amplia perspectivas profissionais

A segunda colocação no Hackathon da OpenAI Brasil representa, para o estudante, mais do que uma premiação, o processo também proporcionou aprendizado, contato com outros profissionais e uma oportunidade concreta de testar conhecimentos em uma situação de alta pressão. A avaliação dos projetos considerou aspectos como o funcionamento da solução durante a demonstração ao vivo, a qualidade da engenharia empregada, a inovação e a utilidade para os usuários.

Para Eduardo, o reconhecimento contribui para fortalecer tanto o portfólio profissional quanto a confiança para enfrentar novos desafios. Os créditos recebidos pela equipe também possibilitam a continuidade das experiências com o Codex e o desenvolvimento de novos projetos. Paralelamente, a experiência reforçou seu interesse em aprofundar os estudos e a atuação nas áreas de engenharia de inteligência artificial, grandes modelos de linguagem (LLMs) e desenvolvimento de software.

O aprendizado obtido durante a competição já começou a gerar novos frutos. Parte dele foi aplicada no desenvolvimento do Agent Harness Kit, projeto aberto criado para organizar o trabalho de agentes de programação. A ferramenta oferece mecanismos para preservar contexto, estruturar tarefas e verificar as entregas realizadas pelos agentes. A intenção é continuar aprimorando o projeto e aplicar os conhecimentos adquiridos em novas iniciativas.

Também existe, segundo ele, o interesse em explorar a evolução do próprio 40 Safras, especialmente a partir de uma compreensão mais aprofundada das necessidades dos usuários e das possibilidades de aplicação da solução.

Incentivo para outros estudantes

Para os colegas que desejam participar de competições, projetos e outras oportunidades, Eduardo deixa uma mensagem de incentivo: não é necessário estar completamente preparado para dar o primeiro passo. “Meu conselho é aproveitar as oportunidades, mesmo quando vocês ainda não se sentirem totalmente preparados. Não é preciso saber tudo para participar, é preciso ter disposição para aprender, colaborar e enfrentar os desafios.” A experiência, segundo ele, mostra que os conhecimentos desenvolvidos durante a formação acadêmica podem ganhar uma nova dimensão quando colocados em prática. A recomendação é acompanhar as oportunidades divulgadas pela instituição, reunir pessoas com interesses em comum e transformar ideias em projetos.

A conquista no Hackathon da OpenAI Brasil mostra, assim, como a combinação entre formação acadêmica de qualidade, trabalho colaborativo, criatividade e uso responsável da inteligência artificial podem abrir novos caminhos para estudantes que estão iniciando sua trajetória profissional.

  

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